
Fim de ano. 365 dias se passaram. Ou melhor, 366 dias. Este ano foi bissexto e a vida me presenteou com um dia a mais. Foi um dia a mais para sentir saudade, para dar um abraço, um dia a mais para sonhar, para amar, para beijar, um dia a mais para tentar, ser feliz, esquecer, lembrar ou um dia a mais para viver só de amor. Tive um dia a mais para confirmar o inevitável.
31 de Dezembro. Não tem jeito, vem ligeira aquela tristeza sorrida que a gente esconde no peito durante todo o ano e que agora a falta de correria nos permite sentir. Comigo não é diferente. Faço planos, traço metas, arrependo, orgulho, agradeço e peço. Escrevo em um papel tudo que eu quero esquecer, queimo e piso em cima, em um ritual que parece até macumba, mas na verdade é um pedido divino para eu aprender com a dor e crescer. Esqueço o que foi triste, me esforço para ver tudo de um jeito que fique bonito e sigo. Depois, pulo as ondas de um mar imaginário, como, apenas no pensamento, as lentilhas que eu detesto, guardo, na carteira que eu não tenho, os caroços de romã, e conto os segundos, no relógio que eu não uso, para celebrar a grande virada.
Ano-novo, vida nova! Preencho meu coração de alegria e aposto tudo nesses novos 365 dias. Peço amor, amizade, saúde, paz, felicidade, força e dinheiro. Só não peço um amor novo porque ainda tenho medo. Medo de ganhar no ano-novo alguém que eu ame menos, que me faça arriscar menos, sorrir menos, sofrer menos, viver menos, desejar não mais dias, mas menos dias.
Feliz 2009 para mim, feliz 2009 para você! Um ano apaixonante é o que eu desejo, é o que eu mereço e vou buscar, a cada dia, no dia-a-dia, a cada momento em que eu viver e sonhar, com o próximo dia em que eu sei que vou te ter, irá demorar, mas há de chegar.
"É só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte..."
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