
Eu não sei se poderia voltar a ser o que eu era pra você. Se eu poderia voltar a ser a pessoa certa na tua vida, nos teus jeitos e trejeitos tão errados. Não sei se conseguiria ser aquela que causa sua taquicardia, que conhece cada sopro, cada falha na tua voz. Não sei se posso ser sua garota, sua primeira namorada, seu primeiro amor, agora que a vida é doce comigo, agora que eu sei que dá pra se divertir mesmo com o coração partido. Não sei se eu voltaria aquela vida ao seu lado sabendo que sua foto está bem guardada naquela caixa, assim como o costume de pensar em você não dói mais tanto. Você era minha alegria, mas não acho que caiba nas minhas alegrias agora. Não sei se posso voltar a consertar teu mundo, a cuidar das tuas feridas, tuas cicatrizes. Minha vida foi transformada em domingos chuvosos, sem esperança de alguma nódoa de sol, quando tudo acabou. Eu nunca me senti tão incoerente com o que sentia e hoje, tanto tempo sem você, eu sei que dá pra continuar. O que não dá é fugir do amor. E escrever é só uma tentativa de dispersar os reflexos, dar um tempo nos holofotes.
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